PREFEITO DE QUÊ?

Trezentas palavras para descascar a cebola do discurso político.


Discurso de candidato costuma entregar a sua visão de gestão.

Um apregoa de boca cheia que a prefeitura precisa de organização, de um choque de gestão, adotar tecnologia e por aí vai. Tudo muito bom, estou de acordo com tudo isso. Esse candidato está deixando claro que será um gestor da prefeitura. Se tiver sucesso deixará uma máquina mais azeitada, funcionando melhor, economias. Com isso poderá vir um custo menor de operação, uma agilidade melhor nos processos, nas rotinas internas.

          Outro candidato fala muito da cidade jardim, da limpeza, dos buracos nas ruas, das árvores, da saúde, da educação, da segurança. Tudo muito bom, estou de acordo com tudo isso. Será um administrador voltado para a cidade, para a área urbana. Talvez faça coisas muito boas, ou somente uma maquiada na cidade. E, convenhamos, às vezes, um prefeito que só faça isso, já é melhor que muitos. Uma simples maquiagem.

          Outro já não fala em prefeitura, nem em cidade. Fala em município. Opa, esse já tem uma visão do conjunto. Afinal elegemos alguém para cuidar do município. Será que todos sabem disso? O município é a prefeitura, mais a cidade, mais a zona rural, as nascentes, o povo, as estradas, as rodovias que cortam sua área geográfica, até o ar que está sobre ela.

          E se o candidato que fala em município, no seu programa de governo trouxer … tipo uma vocação local. Constata termos muitas nascentes, fundos de vale. Isso é um ativo, pode ser desdobrado em exemplo de conservação, mas que também vai gerar lazer, turismo regional, práticas e competições esportivas, eventos culturais. Acena que seremos um município com geração de renda aos fins de semana. Ambulantes, artesanato, cuidadores de crianças, condutores de charretes, palhaços, comidinhas. Ou que seremos uma cidade de empresas de tecnologia.

Só estou questionando.

Quanto mais pobre a cabeça, mais a boca fala. O vazio de ideias sai pela boca. É ficar ligado no discurso.

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