O Cotidiano

O ENIGMA DA INUTILIDADE.

O enigma é que eu não posso lhe entregar as respostas que você espera; tampouco você quer a pergunta que eu não tenho.

A FOME DA CAÇAMBA.

Nas caçambas de demolição cabe quase tudo, só não cabe mesmo saudades. Pois as caçambas não têm essa sensibilidade.

A MUTILAÇÃO DO RESEDÁ.

Educação que não se dá em casa vira fiasco na rua. A regra é segura, líquida e certa.

PROCURA-SE 18.262 DIAS.

São dezoito mil e tantos dias que o ralo da vida teve a satisfação de engolir.

A LÍNGUA DA VELHA.

Ouvidos quietos dão origem a bocas pobres. Ouvir histórias movimenta a criatividade.

NINGUÉM QUIS VER.

Uma pitada de violência de gênero, de experiência de pobreza, privilégios e genealogia. Pouca, porque a realidade já contêm o suficiente e ninguém quis ver.

O ÓBVIO SEPULTADO ESTÁ.

Na selva de modismos, esquecemos o óbvio, mas no final o que vai restar é o fundamental, a nossa humanidade.

FRUTAS DA ESTAÇÃO … RODOVIÁRIA.

A ideia é a de uma vida mais saudável. Vou me alimentar de pensamentos.

O CHAP-CHAP NO ASSOALHO.

A imaginação vai criando expedientes para reviver as pessoas queridas que perdemos pelo caminho.

CORRE-CORRE.

As crianças querem brincar, nós adultos é que já não queremos nos incomodar com um tempo de qualidade para elas.

UM AMONTOADO DE CARNES.

Mesmo que não tenhamos respeito pela vida, a morte ainda desfruta deste olhar atento.

A FORÇA DA SUAVIDADE.

“E hás de adormecer nos meus joelhos…E os meus dedos enrugados, velhos, Hão de fazer-se leves e suaves…”

OS QUE VEM DE LÁ.

Brasileiros bonzinhos que somos, deixamos outros povos roerem nossos restos. E nos vangloriamos disso.

ESTÁVAMOS LÁ, MAS ESTAMOS AQUI.

Ao longo do tempo as pessoas foram mudando seus espaços de vivência. Até que chegamos hoje, ao lugar nenhum.

A BATALHA DE SAPOS.

Um garotinho precisar estar preparado para a luta, mesmo que seja com bombas de cruéis jabuticabas explosivas.

SÓ A VERDADE.

Os meus melhores textos não são os que você ouviu. São aqueles que rasguei ainda no dia em que os escrevi.

O DONO DO CORPO.

Ah, se meu corpo fosse meu. Então eu teria controle sobre cada pedacinho dele. Mas não tenho poder nenhum.