A LÍNGUA DA VELHA.

Ouvidos quietos dão origem a bocas pobres. Ouvir histórias movimenta a criatividade.

NINGUÉM QUIS VER.

Uma pitada de violência de gênero, de experiência de pobreza, privilégios e genealogia. Pouca, porque a realidade já contêm o suficiente e ninguém quis ver.

O ÓBVIO SEPULTADO ESTÁ.

Na selva de modismos, esquecemos o óbvio, mas no final o que vai restar é o fundamental, a nossa humanidade.

FRUTAS DA ESTAÇÃO … RODOVIÁRIA.

A ideia é a de uma vida mais saudável. Vou me alimentar de pensamentos.

O CHAP-CHAP NO ASSOALHO.

A imaginação vai criando expedientes para reviver as pessoas queridas que perdemos pelo caminho.

CORRE-CORRE.

As crianças querem brincar, nós adultos é que já não queremos nos incomodar com um tempo de qualidade para elas.

UM AMONTOADO DE CARNES.

Mesmo que não tenhamos respeito pela vida, a morte ainda desfruta deste olhar atento.

A FORÇA DA SUAVIDADE.

“E hás de adormecer nos meus joelhos…E os meus dedos enrugados, velhos, Hão de fazer-se leves e suaves…”

OS QUE VEM DE LÁ.

Brasileiros bonzinhos que somos, deixamos outros povos roerem nossos restos. E nos vangloriamos disso.

ESTÁVAMOS LÁ, MAS ESTAMOS AQUI.

Ao longo do tempo as pessoas foram mudando seus espaços de vivência. Até que chegamos hoje, ao lugar nenhum.

A BATALHA DE SAPOS.

Um garotinho precisar estar preparado para a luta, mesmo que seja com bombas de cruéis jabuticabas explosivas.

SÓ A VERDADE.

Os meus melhores textos não são os que você ouviu. São aqueles que rasguei ainda no dia em que os escrevi.

O DONO DO CORPO.

Ah, se meu corpo fosse meu. Então eu teria controle sobre cada pedacinho dele. Mas não tenho poder nenhum.

SALVE A BOBEIRA.

Hoje sou um chato, mas pode ser que algum dia os chatos passem a ser os legais da história. Ou não. Vai saber!

SOZINHO COM O CORPO, SÓ.

Descobri que não estamos assim tão juntos. Tão carne e ossos. Tão unha e dedo. Há algo irreconciliável entre mim e meu corpo.

UM ACIDENTE NA CALÇADA.

Miséria de trabalhadora nem é moeda corrente. Mas o importante é estarmos em pé, aconteça o que acontecer.

SEDE DE IGNORÂNCIAS.

Um velho não pode se dar ao requinte e ao prazer da ignorância. No instante final, será o desejo de inocência a fechar-nos os olhos.