SÓ O DOCE DE UM CHICLETES.

radio antigo azul

Estar junto com outros não desfaz o isolamento e a solidão. É só um chicletes que não mata a fome, uma passageira enganação.


SÓ O DOCE DE UM CHICLETES.

O amigo chega na porta do escritório e apoia o ombro esquerdo no batente. Então os olhos vagueiam pelo pedaço avermelhado de céu que a janela oferece na sexta-feira. É o dia e a hora da sua aparição.

Propõem financiar um boteco pra nós dois.

Eu nem estou a fim desse expediente extra. Seria melhor um banho demorado pra levar as cascas dos problemas que ainda seguem aderidas na roupa da semana. Mas não posso dar-lhe uma negativa.

Foto de flor sobressaindo-se a uma grade de residência.

O amigo tem a carteira estufada de notas, mas o peito está escasso de relações. Assim, está mesmo é propondo aliviar um tantinho o bolso em troca de umas horas de companhia. Pois sabe que este também será um final de semana solitário.

Não ofereço dó. Compreensão, talvez. Focou no sucesso profissional, na fortuna financeira e olvidou o capital de amigos.

Por fim, após a eternidade de um minuto mirando aquele ser fundindo-se ao batente, concordo com a ideia de uma esticada.

O bar, esse lugar onde podemos encontrar todos os desencontros da vida reunidos num mesmo espaço, mendigando uma companhia fugaz, como fosse um momento de intimidade. São copos esvaziando, bocas repletas de sorrisos e umas postagens. Os corações, estes seguem tão vazios quanto estavam.

Seguramente estar junto com outros não desfaz o isolamento e a solidão. Assim como esse chicletes que não mata minha fome.

Pois é só uma passageira enganação adocicada a estimular o paladar durante algumas dentadas da vida.

Áudio: Trabalhos técnicos de Ricardo Lima – RÁDIO UEL.

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