QUEM QUER EMPREGO?

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QUEM QUER EMPREGO?
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Trezentas palavras para descascar a cebola do discurso político.


Emprego, como os candidatos e até mesmo os gestores municipais, gostam desta palavra. Parece que seja unânime que os desempregados locais estejam precisando de emprego. A partir disso é aquele foguetório porque vem uma empresa gerando mil empregos. Abrem-se as vagas e não aparecem candidatos. As empresas contratam transporte e trazem gente da região. As pessoas mudam-se para a cidade. Já viu isso antes e está vendo agora, não é?

          Qual o problema? Normalmente dos mil, algumas dezenas de cargos melhores, o resto salário mínimo. Aí vem milhares de pessoas morar na cidade para trabalhar nesta empresa. Junto vem avô, pais, filhos, cachorro, gato, galinha. Dois irão preencher as vagas salário mínimo. O avô, os pais, vão pro posto de saúde, filhos para a escola pública. Mas faltam casas. A incorporadora transforma um sítio em área urbana, lá nos cafundós. Precisa de transporte, asfalto pra chegar, esgoto, água, sobra lixo.

          Será que o saldo dessa conta foi benéfico? No conjunto do município, houve benefícios, ou custos? Eu não sei fazer contas. Fica para você que é mais inteligente do que eu.

          O que sei é que um discurso dos anos 70, 80, não pode ser válido ainda hoje. Precisamos ouvir os candidatos, o que dizem na sequência do “gerar empregos”. Que tipo, em que áreas. Se forem empresas de tecnologia, de serviços, de bens de alto valor agregado, provavelmente, teremos melhores salários. Se é fábrica de sabão …

          Outro aspecto é a ação destes empregos no longo prazo. Sendo atividades que debilitam o trabalhador, com lesões por esforço repetitivo, intoxicações, acidentes e afins, logo teremos uma demanda maior de ações públicas na área de saúde, com benefícios assistenciais. Esse contingente não será, depois de dez, quinze anos, devolvido ao município de origem. É contabilizar prejuízos. Amarga herança malvada.

Quanto mais pobre a cabeça, mais a boca fala. O vazio de ideias sai pela boca. É ficar ligado no discurso.

http://www.uel.br/uelfm/audios/32094-QUEM_QUER_EMPREGO_22_OUT_2020_O_COTIDIANO.mp3

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