SEXO DAS IDEIAS.

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SEXO DAS IDEIAS.

Ao conversar com os diferentes ocorre o sexo das ideias.


Esse pseudo distanciamento social, do tipo às vezes é, por vezes não é, deixa um gostinho de algo que está faltando. Como uma comida maravilhosa, mas sem sal. Pensei que estava sentindo saudades dos amigos, dos familiares; falta de uma festa. Resolvi fazer uma lista do que foi abolido da minha vida nestes meses pandêmicos.

Continuo vendo os meus familiares, na lógica de que já que todos estão preservando-se, não há mal algum em nos encontrarmos. Concordo que isso, por si só já é um contrassenso, porém é o modo que encontramos para nos adaptarmos a esta realidade. Com os amigos, não há o contato físico, presencial, só mesmo encontros eletrônicos. De qualquer forma, alguma relação vamos mantendo e trocando umas ideias.

Então descobri que sinto falta é do contato com os desconhecidos. Aqueles contatos inusitados, inesperados, surpreendentes. Explico: com os familiares e amigos, a conversa já está pasteurizada, as ideias sendo muito parecidas, ficam pobres. Até porque alguém que não tenha pontos de vista semelhantes aos meus, não vai ser meu amigo. Mas faz falta encontrar pessoas diferentes, com outros pensamentos, outras formas de vida, de outras crenças. Com essas sim podemos trocar ideias, discutir um ponto de vista, ajustar nosso modo de ver o mundo, crescer um cadinho dentro dos miolos.

Agora cheguei a uma conclusão, é disso que sinto falta: de sexo. É, falta de sexo. Pois ao conversar com os diferentes ocorre o sexo das ideias, que é o mais frutífero do todos os tipos de sexo. As ideias não se relacionam com ideias iguais. Só com as diferentes.

Minhas ideias estão precisando fazer sexo, a pandemia roubou isso delas, pobrezinhas.

Áudio: trabalhos técnicos de Elias Vergenes, UEL FM.

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